TESTE MOLECULAR PELA RT-PCR PARA O CROMOSSOMO PHILADELPHIA (bcr/abl)

1) CONSIDERAÇÕES GERAIS:

O teste bcr/abl pela técnica RT-PCR (Reação em Cadeia da Polimerase com transcrição reversa) em RNA extraído de sangue ou medula óssea, descrito no item 2 abaixo, é qualitativo e permite o diagnóstico de certeza da presença – ou da ausência – do transcrito quimérico resultante da translocação recíproca entre os cromossomos 9; 22 que origina o cromossomo Philadelphia.

2) A TÉCNICA RT-PCR “NESTED”:

A técnica denominada “Nested” PCR aumenta a sensibilidade diagnóstica do teste com a realização sequencial de duas amplificações diferentes de PCR (35 ciclos de cada vez). O aumento da sensibilidade implica em um aumento do risco de contaminação que precisa ser controlado rigidamente (ver item 3). Os grandes cuidados e a competência laboratorial exigidos para os diagnósticos pela PCR – ilusoriamente “simples” – têm sido subestimados no Brasil.

3) CONTROLE DE QUALIDADE:

No GENE o RNA do(a) paciente é testado para a presença ou ausência do transcrito bcr/abl simultaneamente com três outras amostras/controle. Isto significa que para o exame de cada paciente são processadas, em conjunto, 4 amostras diferentes que precisam ser analisadas na mesma corrida de eletroforose: uma amostra do próprio paciente + uma amostra neutra (“Blank”) para averiguar possíveis contaminações ambientais + uma amostra de controle positivo para o transcrito testado + uma amostra de controle negativo. A realização do teste bcr/abl dessa forma garante a qualidade do resultado obtido, que vai ajudar a definir os futuros tratamentos.

4) PRECISÃO DIAGNÓSTICA:

O teste qualitativo pela RT-PCR com a técnica de amplificação sequencial “Nested PCR” é totalmente confiável e preciso, quando realizado adequadamente. O resultado NEGATIVO significa que não foi detectado o transcrito. O teste é de alta sensibilidade e permite o diagnóstico de um único transcrito bcr/abl entre 105 células normais. A literatura científica é vasta e o teste é indicado inclusive para o diagnóstico de “Doença Residual Mínima Pós-Transplante”. O resultado POSITIVO, quando o teste é realizado com os rígidos controles citados no item 3, também é totalmente confiável. Como o teste é qualitativo ele naturalmente não permite considerações quantitativas sobre a presença de poucas ou muitas células afetadas. A quantificação do bcr/abl só é possível com um outro tipo de teste denominado “Real Time PCR para bcr/abl”.

É possível diagnosticar 3 tipos diferentes de transcritos resultantes da translocação cromossômica 9; 22, dependendo dos pontos onde ocorreram as quebras. Os dois transcritos mais comuns são o denominado “b2 a2” (resultante da junção dos exons b2 do gene bcr e o a2 do gene abl) e o denominado b3 a2 (resultante da junção dos exons b3 do gene bcr e o a2 do gene abl). Já o transcrito “e1 a2” (resultante da junção dos exons e1 do gene bcr e o a2 do gene abl) é mais raro. O resultado do teste POSITIVO pode informar os exons precisos, o que é uma garantia adicional do rigor científico do laboratório, da precisão do resultado e do cuidado com que o laudo foi preparado.

 

Laboratório de Medicina Genômica