Investigação Genéticas das Perdas Fetais
Clique aqui para acessar as instruções para remessa de material fetal para exame cromossômico no Laboratório GENE.

Perdas fetais são eventos comuns e ocorrem em 10 a 15% das gravidezes. Sabemos hoje que frequentemente as causas são genéticas, especificamente anomalias cromossômicas, que são vistas em 60-70% dos casos.

A maior indicação para o estudo cromossômico dos tecidos fetais é o abortamento de repetição. Nestes casos de recorrência torna-se essencial estabelecer se o abortamento está ou não relacionado com uma doença cromossômica. Se houver o diagnóstico de alguma cromossomopatia, a causa da perda fetal está estabelecida e não há necessidade de fazer nenhuma investigação médica da mãe. Por outro lado, na ausência de uma alteração do cariótipo fetal, há indicação para investigações maternas, que devem incluir uma ultrassonografia pélvica, estudos genéticos de trombofilia e anticorpos lúpicos anticoagulante e anti-cardiolipina. Estudos hormonais são controversos.

Entretanto, mesmo no primeiro abortamento, acreditamos que há justificativas para o estudos cromossômico fetal. O processo de luto após uma perda fetal é associado com ansiedade e depressão. Se a perda fica sem explicação, a paciente pode apresentar sentimentos de culpa e questionar se a perda fetal ocorreu porque ela fez ou deixou de fazer algo. O esclarecimento ao casal de que o abortamento foi causado por um defeito cromossômico esporádico (“um acidente genético”) e que a continuação da gravidez seria impossível ou culminaria no nascimento de uma criança anormal, contribui significativamente para a aceitação da perda fetal. Devido a estas razões, acreditamos que todos os abortamentos devam se beneficiar dos exames citogenéticos, permitindo o aconselhamento genético mais eficiente dos casais antes de uma nova gravidez.

Assim, sempre que possível todas as perdas reprodutivas devem ser investigadas citogeneticamente. Infelizmente, quando dependentes apenas das técnicas da citogenética clássica convencional, estas investigações têm um percentual de exames sem resultado. Isto acontece porque a citogenética convencional depende da disponibilidade de células humanas vivas e em processo ativo de divisão celular, o que frequentemente só é possível com a cultura dos tecidos fetais a longo termo no laboratório. As falhas de cultura são comuns porque os tecidos de abortamentos e natimortos estão frequentemente macerados, contaminados com bactérias e/ou fungos, ou foram fixados em formol ou álcool.

O Laboratório GENE desenvolveu uma metodologia nova, denominada Citogenética Molecular®, para estudo a nível de DNA que permite o diagnóstico molecular das alterações de número (trissomias) dos cromossomos 13, 16, 18, 21 e 22, da triploidia e de alterações dos cromossomos sexuais [45, X (síndrome de Turner), 47, XXY (síndrome de Klinefelter)]. A Citogenética Molecular® utiliza a amplificação de microssatélites multialélicos hipervariáveis seguida de resolução eletroforética e densitometria a laser em um Sequenciador Automático Fluorescente de DNA. A Citogenética Molecular® é uma metodologia que é sempre usada se a técnica convencional não der resultados e que pode também ser utilizada sozinha como opção menos dispendiosa. As vantagens da Citogenética Molecular® são:

•  Permitir um resultado rápido.

•  Possibilitar o diagnóstico de alterações de cromossomos específicos pré-determinados em tecidos fixados em álcool ou formol, congelados ou nos casos de inviabilidade de cultura de tecidos de abortos e natimortos, situações estas em que a citogenética convencional não pode ser usada.

•  Ser menos dispendiosa do que a citogenética convencional.

Qual é o protocolo ideal para a investigação genética das perdas fetais?

Em termos de sensibilidade diagnóstica não há dúvida que o ideal é tentar obter um resultado com a metodologia da citogenética convencional, que permite o diagnóstico de todas as cromossomopatias. A Citogenética Molecular® poderá sempre ser usada no caso de não-crescimento da cultura celular, garantindo um resultado sobre cromossomos específicos em todos os espécimes. Assim, o material fetal é inicialmente estudado pela citogenética convencional e, em caso de falha, é empregada, sem nenhum custo adicional, a Citogenética Molecular® que virtualmente garante que um será obtido.

Uma opção menos dispendiosa é optar pelo exame exclusivo de Citogenética Molecular® . Ao decidir qual estudo fazer, temos de levar em conta a relação custo-benefício, considerando a situação econômica da família e as indicações para o exame. Em casos de abortamento de repetição, sempre que financeiramente viável, deve ser empregada a citogenética convencional, pois a maior sensibilidade diagnóstica maximiza a probabilidade de obter um resultado anormal conclusivo que possa orientar a conduta médica. A metodologia convencional diagnostica rearranjos cromossômicos não-balanceados, que poderiam revelar a presença de translocação balanceada em um dos pais. Por outro lado, em casos de primeiro abortamento ou quando a mãe tem idade acima de 35 anos a Citogenética Molecular® pode ser escolhida, permitindo uma economia financeira.

Outros elementos a serem levados em conta na escolha do exame são as condições de coleta dos tecidos fetais e a facilidade e rapidez do transporte deste material até o Laboratório GENE. Para citogenética convencional os tecidos têm de ser coletados de maneira rigorosamente estéril e encaminhados com rapidez ao Laboratório GENE sem nenhum conservante. Por outro lado, no exame com técnicas moleculares a esterilidade não é tão fundamental e é perfeitamente aceitável a fixação dos tecidos fetais em álcool (etanol), o que elimina a urgência e permite o envio do material pelo correio mesmo em localidades nas quais o serviço SEDEX não está disponível.

A Citogenética Molecular® desenvolvida pelo Laboratório GENE e já implantada em sua rotina diagnóstica, representa uma ferramenta de extraordinária utilidade clínica, que fez muito para tornar a investigação genética de abortamentos um exame perfeitamente adaptável à rotina clínica do obstetra moderno, independente de sua localização geográfica.

Clique aqui para acessar um artigo publicado do Dr. Sérgio Pena sobre estudos de diagnóstico de alterações cromossômicas em perdas gestacionais.